Não sei exatamente onde tudo começou. Não sei precisar. Desde que me conheço por gente eu me lembro de estar conectada com o Deus Sol, o azul do céu, as estrelas brilhantes à noite, ao fascínio que a Dona Lua me provocava e a natureza à minha volta. Aos 10 anos de idade eu tomei pela primeira vez nessa vida meu contato com a Astrologia. Foi na escola, uma colega trouxe uma revista “proibida”, dos mais velhos, chamava Atrevida e nela continha uma seção de horóscopo com mensagens para todos os signos. Signos?!

“O que são signos?”

Eu indaguei para a colega portadora e detentora do tesouro proibido em forma de revista. E ela, que no caso era legítima representante do signo de escorpião, (como eu!), esse signo do mistério, do oculto, do esotérico, do simbólico, da magia, da alquimia, da Astrologia me respondeu:

“Signos são animais e imagens que representam e dizem quem você é e o horóscopo é uma mensagem especialmente direcionada ao seu signo, que é você!”.

Na hora, eu me lembro de ter falado:

“Ah, deixa eu ver isso daí pra ver se bate mesmo…”,

Com um misto de curiosidade, desconfiança e descrença. Até que, ao ler, eu fiquei chocada e tudo absolutamente escrito realmente batia comigo e o que eu estava vivendo. Me lembro que esse dia foi pra mim um divisor de água, um Bia antes e Bia depois. Me lembro que ao ler os tais horóscopos na revista eu fui recebendo o que se entende hoje em dia por um download de informações que transcendiam o espaço e foi como se eu tivesse viajado no tempo e ido parar em outras vidas nas quais eu havia tido contato com essa sabedoria. Fiquei horas em estado de êxtase, meditativo, contemplativo do deja vu infinito, tântrico que eu havia feito de forma orgânica e natural, toda aquela experiência surreal. Quando minha mãe foi me buscar na escola no fim da tarde daquele dia, me lembro que entrei no carro calada, sem saber como contar ou descrever o que eu havia presenciado mas que eu sentia ser algo muito importante para meu ser e minha alma. E então quando chegamos em casa eu tive a coragem de perguntar pra ela se ela sabia qual era o meu signo, ascendente, lua e que horas eu havia nascido. Quando ela me disse o horário foi como se eu sentisse um profundo alívio! A partir dali, em 1994 começou minha saga, estudos e buscas pelo auto conhecimento e sobre

“Quem Sou Eu?”

De forma mais consciente através da Astrologia como precursora, guia e e abridora de caminhos dessa longa e árdua jornada e viagem ao mundo do lado de dentro.

Tenho que avisar que não foi fácil. Ao contrário de agora em 2018 em que temos internet e todo tipo de abertura às informações e ao conhecimento, na época do meu primeiro despertar consciente à minha disposição eu tinha no máximo uma coleção de enciclopédias Barsa que havia ganhado de alguém que me doou e, claro, que nelas não havia conteúdo de Astrologia. Busquei na biblioteca da escola na época e também não encontrei. E além de tudo, eu cresci e fui educada numa família conservadora, tradicionalista e totalmente cética pelos tais assuntos místicos, esotéricos que eram tratados e olhados com desconfiança. Me sobrou poder ir às bancas de jornais todo mês poder escolher uma revista pra comprar e eu sempre escolhia a que tinha horóscopo e astrologia! E assim foi, até a internet discada aparecer, até o yahoo me mostrar conhecimentos que nas bancas eu não conseguia encontrar. E assim foi indo. Eu fui crescendo, lendo, estudando sozinha como um rato de biblioteca que vai atrás do tesouro, do queijo. No meu caso, meu queijo era a sabedoria do auto conhecimento. Enquanto eu era jovenzinha, minha família que não dava muita bola pro que eu falava e me achava maluquinha me tratavam e viam meus interesses pela Astrologia como:

“isso é coisa de criança, já já passa.”

Só que não! Não mesmo! E só foi intensificando com o tempo. Quanto mais eu lia, quanto mais eu conhecia, compreendia, entendia, mais eu queria saber, conhecer, ler, aprender. Me lembro que minha primeira pergunta a um desconhecido ou novo amigo ao invés de ser:

“Qual seu nome?”

Era:

“Qual o seu signo?”

E na 4a série eu já tinha uma agenda com o nome, data de nascimento e signo de todos os colegas e nas aulas eu ficava observando eles e seus comportamentos, suas características, suas personalidades pra ver se batia com os respectivos signos. Me lembro de falar à todo instante sobre astrologia com amigos, colegas, ou raros parentes que se abriam pra falar sobre isso comigo. Tudo se complicou quando chegou a temida hora do vestibular, da escolha da tal carreira que vai te classificar e definir pelo resto da vida. No meu caso, como de muitos, eu acredito, recebi de presente da minha herança ancestral uma forte carga de escassez sobre o assunto, entendendo como: escolha a profissão que vai te dar dinheiro! E ponto. Final. Sem desculpas.

Mas mãe, quero fazer psicologia! – Não. Vai morrer de fome! E filosofia? – Não! E astronomia? Não! E educação física? Dá dinheiro? Então não! Posso fazer cursinho pra pensar melhor, refletir e decidir então? Não! Sua obrigação é passar direto e logo em uma faculdade. Se for fazer cursinho, vá trabalhar o dia inteiro pra pagar e estudar à noite. Você gosta e sempre gostou de humanas, de escrever, vá fazer Direito! Assim você une o útil ao agradável e faz uma profissão séria e o mais importante, que te dê segurança financeira, rentável!

E assim fui eu!

Aos 17/18 anos pro primeiro ano de Direito. E amei! Claro! Embora descontente por não ter tido a oportunidade de estudar no cursinho e ter tempo de conhecer melhor a mim mesma, o que eu gostava, as opções e eu mesma escolher no meu ritmo, a partir da voz do meu coração o que eu sentia vontade de fazer, embora eu tenha passado e estivesse estudando numa faculdade que eu não queria, o primeiro ano de Direito me arrebatou! Eu só estudava o que eu amava! Filosofia, sociologia, história da humanidade, história do direito, teoria geral e política, ética, cidadania, o pensamento humano. Mas tudo começou a degringolar a partir do 2o ano quando as matérias jurídicas técnicas começaram a se apresentar. No 3o ano, após conversar com Deus e tomar coragem pra ir na secretaria e trancar o curso eu me deparei no caminho com um panfleto oferecendo uma bolsa de estudos. Me inscrevi, fiz as provas e passei. Fui fazer um curso de verão na Polônia de quase 1 mês com alunos de Direito e Relações Internacionais do mundo inteiro e depois viajei pra mais 6 países. Voltei pro Brasil, prestei filosofia na USP e na PUC. Passei na primeira lista da PUC e fui proibida pela família de cursar. De uma grande crise existencial que a faculdade me levava a entrar em contato, de uma tristeza profunda na alma por não sentir que eu estava fazendo o que eu queria, pelo medo da rejeição dos pais e da família, pela culpa e remorso em parar, trancar todo o investimento financeiro, todos os sonhos e expectativas deles projetados em mim, aos trancos, sob muita pressão interna e externa, dores emocionais, aos trancos e barrancos eu concluí a graduação e cheguei ao fim. Em paralelo à graduação sempre continuei estudando o que me dava tesão e motivava meu coração: idiomas, francês, alemão, astrologia, signos, planetas, arquétipos, personalidades, pessoas, comportamentos, filosofias, religiões, misticismos, esoterismo e esses eram assuntos polêmicos e proibidos de falar com a família, sob risco de conflitos e uma bomba nuclear estourar. Após a aprovação na OAB, peguei meu mochilão e viajei por 4 países da América do Sul com o dinheiro juntado dos meus estágios jurídicos que acabou após 1 mês. Voltei para o Brasil após a breve experiência de alforria. Não queria advogar. Fui dar aulas de inglês para brasileiros e português para expatriados e estrangeiros em escolas de idiomas e multinacionais e descobri meu dom de compartilhar conhecimento, conteúdo, meu prazer em ensinar, em ser professora. Quis estudar fora, não tive patrocínio. Não tive como ir. Quis fazer 1 pós graduação em filosofia obstada pela família. Me foi concedido o patrocínio desde que, com a condição que o curso e o estudo fosse jurídico. Passei na pós graduação de Direito Internacional da Puc-SP que cursei por 2 anos. No meio do caminho estudei e morei 2 meses na Holanda e depois viajei por mais 11 países com money juntado das aulas que eu dava e um pouco de paitrocínio. Voltei pro Brasil e comecei a advogar pra juntar mais grana pra sair da casa da minha mãe e ter dinheiro pra estudar o que eu realmente queria vir a ser e trabalhar um dia: astróloga e astrologia. Fiz inúmeros cursos e formações com grandes mestres e professores em São Paulo. Estudei muito. Lia tudo que eu podia e encontrava nos sebos do centro da cidade, na internet, nos cursos, workshops, seminários. Advogava na área maritimista e lá fui eu pra mais uma pós graduação, em Santos, de Direito Marítimo e Portuário. Terminei após 1 ano e meio. Em paralelo fiz curso de numerologia, reiki, somaterapia, radiestesia, astrologia, quiromancia, fiz viagens, retiros, fui na Osheanic, tudo que meu dinheirinho da advocacia podia pagar considerando que nessa época eu já morava sozinha, ou melhor, em casas compartilhadas. Comecei a astrologar para os amigos próximos fazendo mapas voluntários e depois cobrando o preço módico de R$ 30,00 como contribuição ao meu trabalho. Um dia, após muito planejamento e reunião de coragem, pedi demissão, vendi tudo que eu tinha, carro, roupas, sapatos, coisas, móveis e fui realizar meu sonho de dar a volta ao mundo em 3 anos. Acabei ficando 4 meses na Chapada dos Veadeiros e 9 meses em uma comunidade holística no sul da Bahia, ambos locais sagrados que eu guardo profundo respeito e amor pelo acolhimento com que me receberam, por todos os sinceros e profundos ensinamentos e curas que recebi. Neles, fiz curso de florais, leitura de aura, meditação das rosas, astrologia mais, cristais, aprendi a cozinhar comida vegetariana e vegana, a fazer fitoterapia, permacultura, yoga, me reconecetei com a arte, dança, poesia,a natureza e o Divino que habita dentro e fora de mim. Nesses lugares eu realmente comecei a astrologar e muito. Lá em Piracanga comecei a fazer rodas semanais, encontros da Lua Cheia, noites “Alto Astral” e dar aulas de astrologia pra disseminar o conteúdo astrológico. Na minha última semana em Piracanga, muito conectada com meu Eu superior, meu Eu Divino, minha essência eu recebi com clareza parte da minha missão aqui na terra que tem a ver com ser um canal de comunicação e inspiração e resolvi criar a fan page no facebook: Bellatrix Astrologia Holística. Isso foi em agosto de 2015. A Bellatrix é leonina! E ela só começou com um ato de auto confiança e auto reconhecimento da minha própria luz, essência, dons e talentos, pois ninguém da minha família me apoiaria nesse sonho e era de mim que ela dependia pra acontecer. De lá pra cá, nesses 3 anos e 3 meses a Bellatriz vem sendo construída e materializada a partir desse sonho, desse chamado Maior da minha alma. De lá pra cá, aquele aprendizado em dar aulas de idiomas me ajudou a me tornar professora e dar aulas do idioma simbólico, astrológico da alma. De lá pra cá, foram 3 turmas de alunos em São Paulo, 3 turmas no Rio de Janeiro, 1 turma em Porto Alegre, 1 turma em Salvador. Cerca de 200 alunos. De lá pra cá, foram inúmeros encontros da Lua Cheia, palestras de eclipses, das previsões de fim de ano, workshops em diversas cidades e estados como Manaus e Floripa. De lá pra cá a Bellatrix inaugurou esse ano sua primeira turma online de formação em Astrologia Holística. De lá pra cá, foram mais de mil mapas astrais e consultas de trânsitos, revolução solar, sinastria, leitura de aura, tarot. De lá pra cá foram inúmeras rodas, partilhas, curas, corações tocados, despertares, iniciares, sorrisos, sonhos, lágrimas em conjunto. De lá pra cá foram 5.985 postagens praticamente religiosamente diárias no facebook e 4.037 no instagram. De lá pra cá foram dezenas de vídeos com previsões semanais, mensais, anuais no youtube, conteúdos astrológicos gravados e eternizados. De lá pra cá foram diversas e dezenas de parcerias profissionais que me ensinaram muito. De lá pra cá, somos 23. 740 corações conectados no facebook, 11,1 mil no instagram, 1.128 no youtube. De lá pra cá tomei muito tombo, caí, doeu, aprendi, me reergui, levantei, sacodi a poeira, dei a volta por cima, caí de novo, levantei de novo e assim fui indo até chegar aqui agora, vivendo e aprendendo a jogar no fluxo impermanente da vida. De lá pra cá, foram muitos momentos bons, felizes, outros nem tanto e tristes. Faz parte. De lá pra cá, foi muita disciplina, perseverança, determinação, foco e muito desvio no caminho também. De lá pra cá, foram inúmeros os desafios, as frustrações, a desesperança, o desânimo, a vontade de desistir, a sensação de fracasso, as auto cobranças e cobranças da vida, as crenças limitantes, os medos paralisantes, a contaminação do ego, a perda de sentido no que eu tava fazendo, a abundância, a escassez, as contas a pagar vivendo sozinha e me bancando só de astrologia, a exaustão de fazer tudo sozinha, o receio de não me achar ou sentir preparada pra ler e tocar o coração, a alma e o mapa de um outro ser, ambição, a ganância, a comparação, a competição que me desviaram da minha auto confiança e essência. O desafio de me auto trabalhar, me auto conhecer e me auto superar, iluminar minhas sombras, meu ego, enfrentar minhas dores mais profundas e continuar a caminhar, a trabalhar, a escrever, a inspirar, a passar 1 mensagem de esperança e alento quando eu mesma não tinha. De lá pra cá, muitas vezes me desconectei do meu ritmo, da minha natureza, me preocupei com números, com likes, com reconhecimentos e aprovações alheias. De lá pra cá, toda vez que eu não me considerava e julgava merecedora da minha missão, conquistas e capaz a sempre acolhedora e generosa Astrologia me enviava sinais e confirmações pra eu continuar. De lá pra cá, ela nunca me deixou na mão, nem nos meus piores dias. De lá pra cá, nunca me faltou um mapa astral pra ler e realizar. De lá pra cá, muita coisa mudou, muita gente no meu caminho passou, muitos cursos, seminários, terapias, congressos, livros eu li, fiz, participei e também ofereci, compartilhei, multipliquei. De lá pra cá muita frequência e energia mudou e assim é a vida. Em último dia da última Lua minguante do ano, em Escorpião, em plena quinta feira, dia de #tbt, Eu, Beatriz com 33 anos e a Bellatrix com 3 anos e 3 meses de vida fazemos esse inventário pessoal, olhamos pra trás, nos orgulhamos de todas as conquistas, acolhemos todas as perdas e ganhos, todas as vitórias e derrotas, todos sucessos e fracassos e agradecemos em profunda reverência, honrando tudo e todos que passaram por nós nesse caminho, todos os mestres que encontramos dentro e fora de nós, todos os professores, amigos, companheiros, colegas, alunos, consulentes, seguidores, expectadores, simpatizantes, conflitos, desafetos,reconciliações, à família, origens, aos meus ancestrais e raízes, aos mestres ascencionados, guias espirituais, anjos e arcanjos, ondinas, duendes, salamandras, seres elementais, animais, minerais, vegetais, os pets de estimação que passaram por mim, bruxas, feiticeiras, magos, sacerdotes e sacerdotisas, Deuses e Deusas e as fadas. Nós nos despedimos desse ciclo, dessa longa, árdua, reconfortante e desafiadora jornada para alçarmos novos e maiores vôos, para irmos além e em busca de novos horizontes dentro e fora de nós mesmas, metamorfoseadas na mais linda versão ambulante que podemos ser, no mais precioso, belo, límpido e cristalino diamante lapidado de minha pedra bruta. Eu, mais inteira, íntegra, reconectada à essência verdadeira, à pureza e amor do meu coração, integrada entre meus opostos complementares, na luz e sombra, mais humilde e humana, rumo e sempre em direção à felicidade, ao compartilhar do conhecimento, das minhas experiências, na missão de tocar todo e qualquer coração que cruzar meu caminho, de acender a chama da vela alheia através da minha própria chama, da minha luz dourada, do meu sol irradiante que reconheço que sou e de inspirar tudo e todos a realizarem e viverem seus sonhos. E apesar dos percalços co maninho, do castelo construído com cada pedra que encontrei, se vocês me perguntarem: Bella, você faria tudo de novo? Minha resposta será: Valeu a pena! Êê! Valeu a pena! Ê ê! Sou pescadora de ilusões. Mas agora não mais. É hora de deixar morrer as ilusões e viver os melhores e mais belos sonhos reais. Não sei o que vai ser daqui pra frente, só sei que vai ser diferente. Entrego. Confio. Aceito. Agradeço. Me despeço com amor do passado, do velho, do que passou. Solto o controle de toda e qualquer expectativa. Me rendo aos desígnios dos mistérios da vida. Me abro para merecer. Me abro para a reciprocidade do dar e receber. Estou aberta ao novo.

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